Adoção de D2D cresce com Starlink, Deutsche Telekom aposta em IA soberana e Telefónica lidera mobilidade empresarial
Por TelecomTV Staff · 2026-04-21
D2D cresce 24,5% com Starlink, Deutsche Telekom aposta em IA soberana e Telefónica lidera mobilidade empresarial. Veja os destaques.
A adoção de serviços direct-to-device, ou D2D, ganhou novo impulso nos últimos meses, impulsionada principalmente por lançamentos ligados à Starlink em diferentes mercados. Ao mesmo tempo, a Deutsche Telekom voltou a defender com força a tese de soberania digital na Europa, enquanto a Telefónica recebeu destaque por suas capacidades em mobilidade corporativa. Os três movimentos, embora distintos, ajudam a desenhar um cenário mais amplo do setor de telecomunicações: a integração entre redes móveis e satélites, a corrida por infraestrutura de inteligência artificial e a disputa por soluções empresariais mais seguras e eficientes.
No caso do D2D, a tecnologia aparece como uma das apostas mais observadas do ecossistema de telecom. A proposta é permitir que dispositivos móveis se conectem diretamente a satélites, sem depender integralmente da cobertura terrestre tradicional. Isso pode ampliar o alcance de serviços móveis em áreas remotas, reforçar a resiliência das comunicações e abrir novas frentes comerciais para operadoras e provedores de satélite. Ainda assim, os números mostram que o mercado está em fase inicial e que a adoção ainda é limitada quando comparada à base total de usuários móveis.
Crescimento acelerado, mas ainda em fase inicial
Segundo a análise da Ookla, o número global de conexões D2D registradas aumentou cerca de 24,5% entre julho de 2025 e março de 2026. Esse avanço coincidiu com a expansão dos serviços D2D da Starlink Mobile em países como Chile, Ucrânia, Peru e Reino Unido. A presença desses lançamentos ajuda a explicar a aceleração recente, já que novas ofertas comerciais tendem a elevar rapidamente a base de conexões observadas em fase de arranque.
Apesar disso, a expansão não ocorreu de forma homogênea. A Ookla identificou queda no número de conexões na América do Norte nos últimos meses, especialmente nos Estados Unidos e no Canadá. A empresa sugere que a redução pode estar ligada a mudanças comerciais adotadas pela T-Mobile nos EUA e pela Rogers no Canadá, que passaram a cobrar parte dos clientes pelos serviços D2D. Outros fatores, como sazonalidade de uso, também podem ter influenciado o resultado. Em outras palavras, o interesse pela tecnologia cresce, mas a monetização e o comportamento do usuário ainda estão sendo ajustados em mercados mais maduros.
Mesmo com a liderança norte-americana, o relatório mostra que a tecnologia ainda tem presença restrita. Os Estados Unidos concentraram 45,9% de todas as conexões D2D globais em março de 2026. A Austrália respondeu por 18,1%, o Chile por 10% e o Canadá por 9,8%. A Starlink aparece como responsável pela grande maioria dessas amostras, embora Skylo e Lynk Global também tenham aparecido nos dados globais. A própria Ookla ressalta que apenas uma pequena fração dos usuários móveis está, de fato, conectando-se a satélites D2D em cada país analisado.
O que é direct-to-device e por que o setor acompanha de perto
O termo direct-to-device descreve um modelo em que um aparelho móvel se conecta diretamente à rede via satélite, sem precisar de equipamento especializado como terminais dedicados ou antenas de grande porte. Na prática, a ideia é estender a conectividade a locais com baixa cobertura de rede celular ou permitir algum nível de comunicação em situações em que a infraestrutura terrestre esteja indisponível.
Essa proposta interessa ao setor porque mexe com uma das bases da telefonia móvel: a cobertura. Operadoras móveis, por um lado, podem usar o D2D para reforçar sua oferta em áreas remotas e para situações de emergência. Provedores de satélite, por outro, ganham uma nova forma de distribuição de serviços. Ao mesmo tempo, o modelo exige integração técnica complexa, coordenação regulatória e clareza comercial sobre quem paga, como o serviço é ativado e quais recursos serão oferecidos ao usuário.
O próprio relatório citado no texto original reforça que o D2D ainda é um mercado emergente. Isso significa que, apesar do crescimento recente, a tecnologia continua em fase de consolidação e depende de escala, qualidade de serviço e parcerias para se tornar mais amplamente usada. O fato de os números ainda serem pequenos, em proporção à base total de usuários móveis, indica que a adoção em massa ainda não aconteceu.
Deutsche Telekom reforça a narrativa da soberania digital
Outro ponto central da reportagem foi a participação de Tim Höttges, CEO da Deutsche Telekom, em uma keynote no Hannover Messe, evento dedicado à indústria de manufatura. A fala do executivo reforçou o discurso de que a inteligência artificial será decisiva para o futuro do grupo, da Alemanha e da Europa. Höttges destacou os investimentos da empresa em infraestrutura de IA, incluindo o Industrial AI Cloud, também descrito como uma AI factory localizada em Munique.
A fala ocorre em um momento em que a soberania digital ganhou peso estratégico em toda a Europa. O conceito se refere à capacidade de governos, empresas e instituições utilizarem infraestrutura tecnológica, dados e serviços com menor dependência de fornecedores de fora do continente, especialmente em áreas sensíveis como cloud computing e inteligência artificial. No caso da Deutsche Telekom, essa agenda aparece associada à oferta de serviços em nuvem e à criação de alternativas regionais para cargas de trabalho corporativas.
Höttges afirmou que a combinação entre IA e soberania pode gerar progresso e defendeu que Alemanha e Europa têm condições de ocupar posição de liderança em IA física, isto é, no uso de inteligência artificial em ambientes industriais. Esse tipo de aplicação envolve automação, produção, engenharia e integração de sistemas em fábricas e operações complexas. A mensagem do executivo é clara: a disputa por infraestrutura de IA não se limita a modelos e software, mas envolve também onde esses sistemas rodam e quem controla a base tecnológica.
T-Systems, T Cloud Public e o avanço de soluções soberanas
Dentro dessa estratégia, a unidade empresarial T-Systems, da Deutsche Telekom, ampliou recentemente sua plataforma T Cloud Public para oferecer aos usuários europeus uma alternativa regional aos serviços em nuvem de grandes provedores norte-americanos. A novidade ganha mais força com o anúncio de que o EDAG Group, empresa de serviços de engenharia voltada para mobilidade, defesa, indústria e soluções públicas, vai operar sua plataforma industrial Metys sobre o T Cloud Public.
Além disso, a Metys também usará a AI factory da Deutsche Telekom em Munique para suportar cargas de trabalho de IA industrial. A escolha sinaliza a ligação entre nuvem, soberania e computação de alto desempenho em um contexto de transformação digital industrial. Para o EDAG Group, a promessa é construir uma base de valor digital de ponta a ponta, do desenvolvimento à produção, usando a infraestrutura da Telekom para obter escala, segurança e desempenho.
Já a T-Systems enquadrou o movimento como uma vantagem competitiva para pequenas e médias empresas. A empresa afirmou que uma infraestrutura soberana europeia não é um luxo, mas uma vantagem competitiva, especialmente para as SMEs. Na prática, esse tipo de posicionamento tenta responder a uma demanda crescente do mercado por soluções que combinem conformidade regulatória, controle de dados e capacidade técnica para executar aplicações avançadas de IA e cloud.
Telefónica e o peso da mobilidade corporativa
Enquanto a Deutsche Telekom trabalha sua narrativa em torno de IA e soberania, a Telefónica foi destacada pela GlobalData como líder global em serviços de mobilidade corporativa. O reconhecimento veio no relatório Global Enterprise Mobility Services: Competitive Landscape Assessment, que avaliou operações, serviços gerenciados e serviços profissionais na área de enterprise mobility.
A avaliação citou especialmente as capacidades da Telefónica em conectividade, gerenciamento unificado de dispositivos, segurança móvel, gestão do ciclo de vida dos dispositivos e aplicações corporativas. Esses elementos são essenciais para empresas que precisam administrar frotas de smartphones, tablets e outros endpoints, garantindo controle, atualização, proteção de dados e integração com sistemas internos.
Em um ambiente corporativo cada vez mais distribuído, a mobilidade empresarial deixou de ser apenas uma extensão da telefonia e passou a ser uma camada crítica da operação digital. O destaque concedido à Telefónica reforça como o mercado valoriza operadoras que conseguem oferecer não só conectividade, mas também ferramentas de gestão e segurança que simplificam o uso de dispositivos em larga escala.
Vodafone Ireland também amplia investimentos
A reportagem ainda trouxe informações sobre a Vodafone Ireland, que teria anunciado investimento adicional de 360 milhões de euros até 2030. Desse total, 200 milhões de euros seriam destinados à evolução da rede móvel e 160 milhões de euros a despesas digitais e de TI. O plano surge às vésperas da mudança da empresa para uma nova sede no centro de Dublin.
Segundo a CEO Sabrina Casalta, os recursos vão reforçar capacidades de rede e digitais para entregar conectividade rápida, confiável e resiliente, além de melhorar a experiência do cliente. A operadora afirma que o investimento também contempla inteligência artificial, internet das coisas, aplicações de cidades inteligentes, plataformas de atendimento e atualizações de infraestrutura crítica.
O caso da Vodafone Ireland mostra como os investimentos em telecom deixaram de se concentrar apenas em cobertura e velocidade. A agenda agora envolve redes, software, automação, serviços digitais e integração com casos de uso empresariais e urbanos. Isso coloca as operadoras em um papel mais amplo dentro do ecossistema tecnológico, no qual a conectividade passa a ser a base de soluções mais complexas.
O que essa movimentação indica para o setor
Os diferentes anúncios e análises reunidos nessa notícia apontam para uma transformação importante no setor de telecomunicações. De um lado, a conexão direta via satélite avança como alternativa complementar às redes terrestres, embora ainda esteja em estágio inicial. De outro, grandes operadoras europeias procuram consolidar posições em inteligência artificial, cloud soberana e mobilidade corporativa.
Esse cenário mostra que a competição já não se limita à oferta de voz e dados móveis. As operadoras agora disputam espaço em cadeias de valor mais amplas, que incluem infraestrutura de IA, serviços em nuvem, automação industrial, gestão de dispositivos e integração entre redes terrestres e satelitais. A capacidade de construir ecossistemas confiáveis e escaláveis passa a ser tão importante quanto a cobertura de rede.
No caso do D2D, a evolução dependerá da expansão geográfica, da consistência do serviço e de modelos comerciais sustentáveis. Já na frente de IA e cloud, o desafio é equilibrar desempenho, soberania e adoção empresarial. O que une esses movimentos é a tentativa de reposicionar as teles como provedoras de infraestrutura estratégica para a economia digital.
No conjunto, os dados da Ookla, os anúncios da Deutsche Telekom, o reconhecimento da Telefónica e os investimentos da Vodafone Ireland indicam que a indústria segue em direção a uma integração maior entre conectividade, computação e serviços digitais. O resultado é um setor mais complexo, mais competitivo e cada vez mais dependente de infraestrutura avançada para sustentar novas aplicações em escala.
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