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IA ganha espaço nas operações dos times da NHL

Por Ethan Sears · 2026-04-27

IA ganha espaço nas operações dos times da NHL

IA ganha espaço nas operações da NHL: veja como ela acelera análise de elenco, teto salarial, recrutamento e decisões em jogo. Leia a matéria.

A adoção de inteligência artificial nos bastidores da NHL começa a ganhar espaço e pode redesenhar a forma como as franquias tomam decisões. Embora o hóquei no gelo ainda esteja atrás de outras ligas no uso de analytics, a matéria mostra que o próximo salto de inovação já está em curso e deve envolver ferramentas de IA aplicadas a operações de hóquei, análise de elenco, recrutamento, gestão de teto salarial e apoio à comissão técnica.

O movimento não surge do zero. A NHL já teve uma fase de valorização do uso de dados que ajudou profissionais como Eric Tulsky, da Carolina Hurricanes, Sunny Mehta, ex-diretor de analytics do New Jersey Devils, Arik Parnass, do Colorado Avalanche, e Tyler Dellow, assistente de gerente-geral da Carolina, a ganharem espaço em funções estratégicas. A nova etapa, porém, não se limita à estatística tradicional. Agora o foco é a inteligência artificial, vista como uma camada adicional capaz de acelerar processos, organizar grandes volumes de informação e tornar mais eficiente o trabalho de executivos, analistas e treinadores.

O principal desafio, segundo a reportagem, está em convencer um esporte historicamente lento na adoção de analytics de que a IA vale o investimento e a mudança de cultura. A lógica é parecida com a da primeira onda de análises avançadas: só haverá adesão mais ampla quando os resultados se tornarem visíveis. Para executivos ouvidos pela matéria, a questão não é mais se a tecnologia entrará nas estruturas de hockey operations, mas em que velocidade isso acontecerá e quais departamentos serão transformados primeiro.

Na prática, a IA aparece como uma ferramenta voltada principalmente para economia de tempo. Steve Werier, ex-assistente de gerente-geral do Florida Panthers e hoje advogado especializado em IA na Amazon, aponta usos como gestão do teto salarial, modelagem de elenco, análise de tendências de outros clubes e estudo de padrões de comportamento de dirigentes adversários. Em uma liga com forte dependência de contratos, renovações e projeções de desempenho, esse tipo de suporte pode tornar mais rápido o trabalho de avaliar alternativas e montar cenários.

Outro exemplo citado é o volume de e-mails de agentes recebidos por executivos de hockey operations. Em vez de uma triagem manual, um agente de IA com comandos adequados poderia classificar mensagens, identificar jogadores que se encaixam nas necessidades de afiliados e filiais menores, e destacar opções que merecem atenção. A lógica é simples: reduzir o trabalho repetitivo para que a equipe humana concentre energia na parte estratégica. A mesma ideia se estende à aceleração da codificação, da execução de modelos analíticos e da construção de relatórios internos.

A reportagem também mostra que a IA pode ampliar o alcance do acompanhamento de atletas. Atualmente, equipes contam com treinadores de desenvolvimento de jogadores que visitam prospectos no college ou nas ligas juvenis ao longo da temporada. A hipótese levantada é que sistemas de IA possam complementar essas interações, oferecendo retorno em tempo real entre uma reunião e outra. Isso significaria um fluxo contínuo de suporte, com análises mais rápidas sobre evolução técnica, padrões de jogo e pontos de melhoria.

No ambiente de jogo, o uso potencial é ainda mais sensível. A matéria cita a possibilidade de incorporar informações em tempo real em dispositivos como iPads usados pela comissão técnica. Em vez de depender apenas da leitura visual da partida, treinadores poderiam receber alertas sobre linhas sendo pressionadas pelo adversário, combinações táticas mal ajustadas ou outras tendências que exigem resposta imediata. Esse tipo de aplicação não substitui a leitura humana, mas pode aumentar a velocidade de reação durante a partida.

É nesse ponto que vale explicar dois conceitos centrais da reportagem. Analytics esportivo é o uso estruturado de números, tendências e dados para enxergar aspectos do jogo que o olho nu pode não capturar com precisão. Já a inteligência artificial vai além de encontrar padrões: ela pode aprender com dados, organizar informação, sugerir prioridades e automatizar etapas de trabalho. No contexto da NHL, isso significa que a IA não entra apenas para contar eventos, mas para ajudar a decidir o que analisar, como comparar jogadores e onde economizar tempo.

Mesmo assim, a reportagem destaca limites importantes. Um deles é a confiabilidade. Executivos lembram que ferramentas de IA podem errar, especialmente quando recebem dados incompletos ou quando a formulação da pergunta é ruim. A qualidade do resultado depende da qualidade dos dados, do entendimento de quem usa a tecnologia e da clareza do objetivo. Por isso, a adoção mais comum hoje ainda é a de suporte, e não de substituição completa de profissionais.

Jules Lanari-Collard, estudante do Imperial College London, apresentou no HALO conference, em Denver, um modelo para medir a contribuição dos jogadores longe da posse do puck. Ele contou ter usado o Gemini, do Google, para escrever cerca de 10 por cento do código. O exemplo ilustra bem a lógica da atual fase da IA: acelerar tarefas, reduzir fricção operacional e permitir que profissionais concentrem energia na interpretação dos resultados. Ao mesmo tempo, o próprio estudante ressalta que bons modelos exigem pessoas qualificadas, capazes de formular métricas e validar conclusões.

Essa observação ajuda a entender um ponto crucial. A IA pode automatizar partes do fluxo, mas não elimina a necessidade de analistas, scouts ou gestores experientes. Pelo contrário, sua utilidade depende justamente de equipes com conhecimento profundo do esporte. Na visão apresentada na reportagem, o futuro não será de substituição total, e sim de complementaridade. Ferramentas inteligentes devem apoiar decisões, não tomar o lugar de quem entende o contexto competitivo e as nuances humanas de uma temporada de NHL.

Há também uma questão estrutural que diferencia o hóquei de outras ligas. No baseball, por exemplo, dados detalhados de tracking são mais acessíveis ao público por meio de plataformas abertas. No hóquei, esse tipo de informação continua muito mais restrito, normalmente disponível apenas para equipes, para a própria NHL ou para empresas especializadas como a SportLogiq. Isso cria um ambiente em que a inovação acontece mais nos bastidores do que diante do torcedor, ao mesmo tempo em que aumenta a vantagem de quem tiver acesso e souber usar melhor essas informações.

Esse cenário pode ampliar a distância entre organizações que adotam novas tecnologias e aquelas que permanecem presas a métodos tradicionais. Para as franquias que já investem em dados, a IA pode funcionar como multiplicador de eficiência. Para as demais, o risco é ficar para trás em áreas como captação de talentos, construção de elenco, análises de adversários e planejamento operacional. Em uma liga competitiva, ganhos pequenos de eficiência podem ter impacto relevante no longo prazo.

Do ponto de vista do mercado, a adoção de IA nas franquias da NHL indica uma tendência mais ampla de reorganização de processos corporativos. Um dos executivos ouvidos pela reportagem afirma que toda operação será repensada sob a lente da inteligência artificial. Isso não significa mudança imediata e homogênea, mas aponta para um futuro em que departamentos administrativos, técnicos e analíticos tendem a incorporar ferramentas digitais em maior escala. No esporte profissional, a pressão por vantagem competitiva costuma acelerar a experimentação.

O caso da NHL também mostra como a inovação em IA pode ocorrer de forma setorial, adaptada às necessidades específicas de cada indústria. No hóquei, a tecnologia não entra apenas para modernizar relatórios. Ela pode apoiar decisões sobre contratos, ajudar a encontrar encaixes táticos, organizar comunicação interna e até acelerar o caminho entre uma observação e uma decisão. Como a reportagem sugere, isso ainda está em uma fase inicial, mas o potencial é amplo o suficiente para atingir praticamente todas as áreas de hockey operations.

No balanço geral, a matéria indica que a IA deixou de ser uma hipótese distante no hóquei profissional e passou a integrar o debate estratégico das franquias. O processo ainda é desigual, os riscos de uso inadequado existem e a disponibilidade limitada de dados continua sendo um gargalo. Mesmo assim, a direção parece clara: a NHL caminha para um modelo em que inteligência artificial e análise humana trabalharão lado a lado, com a tecnologia assumindo tarefas repetitivas e ampliando a capacidade de resposta das equipes.

Se a primeira geração da revolução analítica no hóquei ajudou a abrir espaço para profissionais orientados por dados, a próxima pode ser definida pela inteligência artificial. O diferencial, agora, não estará apenas em coletar e interpretar informação, mas em transformar a velocidade de processamento em vantagem competitiva. Na NHL, como a reportagem mostra, essa corrida já começou, e o fator decisivo será a capacidade de cada organização de integrar a IA sem perder o conhecimento especializado que ainda sustenta as melhores decisões.

Inteligência Artificial

Referência: https://nypost.com/2026/04/27/sports/how-ai-is-creeping-its-way-into-nhl-front-offices-and-can-become-a-game-changer/

Sobre o autor

Ethan Sears — Conteúdo revisado pela equipe editorial do GeraDocumentos, com foco em IA, produtividade e criação de documentos profissionais.