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Tags: IA, crescimento do PIB dos EUA, David Sacks, inteligência artificial, data centers, software, investimentos em IA, economia americana

IA já responde por 75% do crescimento do PIB dos EUA, diz David Sacks

Por Tristan Bove · 2026-05-04

IA já responde por 75% do crescimento do PIB dos EUA, diz David Sacks

IA respondeu por 75% do crescimento do PIB dos EUA, diz David Sacks. Veja como investimentos em software, chips e data centers puxam a economia.

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma pauta estratégica para se tornar, segundo um dos nomes ligados ao governo Donald Trump, um dos principais motores da economia dos Estados Unidos. Em declarações recentes, David Sacks, ex-assessor de inteligência artificial e criptomoedas da Casa Branca, afirmou que a IA já respondeu por 75% do crescimento do PIB americano no primeiro trimestre de 2026. A leitura apresentada por ele é direta: interromper o avanço da tecnologia seria, em suas palavras, equivalente a paralisar a economia dos Estados Unidos.

A afirmação chama atenção não apenas pelo peso político de quem a fez, mas também pelo momento econômico em que surge. Embora o mercado acionário americano esteja em patamares históricos e o crescimento continue positivo, a expansão econômica do país tem sido descrita como desigual e fortemente concentrada em investimentos ligados à IA. Em vez de uma retomada ampla, com ganhos mais distribuídos entre setores como indústria, varejo e emprego, o cenário atual indica que a infraestrutura e o ecossistema de inteligência artificial passaram a sustentar grande parte da atividade econômica recente.

AI como principal vetor de investimento

Os dados citados na reportagem da Fortune mostram que o consumo das famílias segue sendo a maior fatia do PIB americano, representando 68,1% da atividade econômica, segundo o Bureau of Economic Analysis. Ainda assim, no trimestre mais recente, o consumo acrescentou apenas 1,08 ponto percentual ao crescimento do PIB. O principal impulso veio do investimento empresarial, que adicionou 1,48 ponto percentual. Dentro desse investimento, praticamente todo o dinamismo está associado à corrida por IA.

Entre as áreas que mais receberam aportes, destacaram-se equipamentos técnicos, como computadores, e produtos de propriedade intelectual, como software. Somados, os gastos em processamento de informações, equipamentos, software e pesquisa e desenvolvimento responderam por 1,52 ponto percentual do crescimento total do PIB, que fechou em 2% no período. Isso significa que mais de três quartos da nova atividade econômica dos Estados Unidos vieram de áreas diretamente ligadas à expansão da inteligência artificial.

Essa leitura ajuda a explicar a centralidade da IA no debate econômico americano. O setor deixou de ser apenas uma fronteira tecnológica para se transformar em componente essencial da formação de capital das empresas. Em outras palavras, companhias estão direcionando recursos para comprar servidores, ampliar capacidade computacional, desenvolver software e acelerar pesquisa, tudo isso para acompanhar a corrida pela adoção de modelos e aplicações de IA em larga escala.

O que significa crescimento puxado por IA

Para entender a relevância desse cenário, é importante diferenciar crescimento baseado em consumo de crescimento baseado em investimento. No primeiro caso, a economia avança porque as famílias compram mais bens e serviços. No segundo, o motor principal é a aplicação de capital por empresas em máquinas, tecnologia, software e infraestrutura. A reportagem mostra que, neste momento, o segundo vetor está superando o primeiro como fonte de expansão recente.

David Sacks, que deixou o posto de principal assessor de IA e criptomoedas de Trump em março, defendeu uma abordagem desregulatória para a governança da tecnologia e participou da formulação do AI Action Plan da administração. Esse plano tinha como foco acelerar o desenvolvimento da IA e ampliar rapidamente a infraestrutura necessária para sustentá-la. A posição reforça a ideia de que, para parte do governo e do setor privado, a velocidade de adoção da IA é vista como fator estratégico para manter a liderança econômica americana.

Quando Sacks afirma que parar o progresso em IA equivaleria a interromper a economia dos Estados Unidos, ele está descrevendo uma dependência crescente entre o ciclo de investimento e a tecnologia. Em vez de um impacto restrito a empresas de software, a IA passou a influenciar fabricantes de chips, provedores de nuvem, data centers, empresas de construção, fornecedores de energia, desenvolvedores de software e serviços corporativos. Isso cria um efeito em cadeia que se espalha por diferentes camadas do ecossistema digital.

Emprego fraco e crescimento com concentração setorial

Apesar do discurso otimista de integrantes do governo sobre uma retomada industrial e um novo ciclo de expansão do emprego, os dados citados na reportagem apontam uma realidade mais frágil no mercado de trabalho. O setor manufatureiro perdeu quase 110 mil empregos no último ano, segundo um comitê do Senado mencionado na matéria. Além disso, o mercado de trabalho como um todo teve um dos desempenhos mais fracos em décadas, com apenas 156 mil vagas criadas no ano passado, número que teria sido negativo sem a contratação excepcional de 375 mil pessoas pela área da saúde.

Esse contraste ajuda a explicar o conceito de “jobless growth”, ou crescimento sem emprego, citado por pesquisadores do Goldman Sachs. O termo descreve períodos em que a economia cresce, mas a geração de postos de trabalho não acompanha o mesmo ritmo. No contexto atual, a IA aparece como um fator que sustenta investimento e produtividade, mas sem necessariamente produzir, no curto prazo, expansão ampla do emprego.

A reportagem também destaca que a criação de vagas associada ao boom da IA está fortemente concentrada na construção civil, especialmente na construção de data centers. Segundo um estudo da American Edge Project, havia quase 2.800 data centers anunciados ou em construção nos Estados Unidos, com expectativa de gerar quase 700 mil empregos permanentes e 4,7 milhões de empregos temporários. Ainda assim, pesquisadores da Brookings observam que os benefícios econômicos locais de um data center típico caem muito após a fase de construção, enquanto o emprego operacional de longo prazo permanece relativamente pequeno.

Data centers, software e infraestrutura como pilares da corrida

O avanço da IA exige uma base física e digital robusta. Data centers são instalações que abrigam servidores, sistemas de armazenamento e rede necessários para executar modelos de IA, processar grandes volumes de dados e manter serviços disponíveis continuamente. Sem essa infraestrutura, a escalada atual da inteligência artificial simplesmente não seria possível.

Além dos data centers, a reportagem mostra que o investimento também se concentra em software e pesquisa e desenvolvimento. O software é o conjunto de programas que permite criar, treinar e aplicar modelos de IA em produtos e serviços. Já pesquisa e desenvolvimento, frequentemente abreviado como P&D, envolve o trabalho necessário para testar algoritmos, criar novas ferramentas e aprimorar aplicações já existentes. Em ambientes corporativos, esses investimentos costumam ser sinais de expectativas de longo prazo, não apenas de resultado imediato.

Isso revela um ponto importante para empresas e formuladores de política pública: o crescimento ligado à IA tem uma base de capital intensiva. Em outras palavras, a expansão exige gastos elevados antes de gerar retorno. Por isso, a economia pode mostrar dinamismo mesmo em um cenário de emprego mais fraco, desde que o investimento em tecnologia continue acelerado.

Os impactos para empresas, mercado e política econômica

O cenário descrito na reportagem sugere que a economia americana está cada vez mais dependente da inteligência artificial como fonte de crescimento. Para empresas de tecnologia, isso cria um ambiente de forte demanda por capacidade de computação, serviços em nuvem, componentes especializados e soluções de software. Para fornecedores de infraestrutura, como construtoras, empresas de energia e operadores de data centers, a expansão pode representar novos contratos e maior ocupação de capacidade.

Ao mesmo tempo, a concentração do crescimento em poucos segmentos traz riscos. Se a maior parte do avanço econômico estiver apoiada em um único vetor, qualquer desaceleração no ritmo de investimento em IA pode reduzir de forma significativa a atividade geral. Isso vale especialmente em um ambiente de mercado de trabalho menos aquecido, no qual o consumo das famílias pode perder força caso a confiança do trabalhador diminua.

Há também implicações regulatórias. A posição defendida por Sacks, de acelerar a IA com menos restrições, sugere uma tensão permanente entre inovação e governança. Em um lado, está a ideia de que o desenvolvimento rápido da tecnologia é vital para a competitividade dos Estados Unidos. No outro, permanecem preocupações sobre emprego, infraestrutura, poder de mercado e distribuição dos ganhos econômicos.

Na prática, o debate deixa claro que a IA já não pode ser tratada apenas como uma tendência futura. Ela passou a integrar a estrutura atual de crescimento, influenciando o desempenho do PIB e moldando as prioridades de investimento de empresas e governos. Ao mesmo tempo, a reportagem mostra que o efeito positivo ainda é concentrado e não resolveu os problemas mais amplos do mercado de trabalho americano.

Um crescimento cada vez mais dependente da tecnologia

O retrato traçado pela Fortune aponta para uma economia em que a inteligência artificial se tornou peça central da expansão recente dos Estados Unidos. A tecnologia, antes vista como um motor setorial, passou a ser tratada como sustentação de boa parte do crescimento agregado. Isso ajuda a explicar por que figuras como David Sacks defendem que desacelerar a IA seria prejudicial não apenas ao setor de tecnologia, mas à economia como um todo.

O desafio, no entanto, está em transformar esse investimento concentrado em crescimento mais amplo e sustentável. Enquanto isso não acontece, o ciclo econômico segue dependente da continuidade da corrida por infraestrutura, software e capacidade computacional. A reportagem sugere que, por ora, a história da economia americana em 2026 é menos sobre uma retomada diversificada e mais sobre um único eixo dominante: a inteligência artificial.

Referência: https://fortune.com/2026/05/04/trump-ai-czar-david-sacks-american-gdp-economy/

Sobre o autor

Tristan Bove — Conteúdo revisado pela equipe editorial do GeraDocumentos, com foco em IA, produtividade e criação de documentos profissionais.