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JXQ AI Forum lança novas iniciativas para integrar IA e cidades na China

Por Equipe editorial GeraDocumentos · 2026-04-27

JXQ AI Forum lança novas iniciativas para integrar IA e cidades na China

JXQ AI Forum 2026 lança índice urbano, Spark•AI Cloud 2.0 e AI China Tour para acelerar a IA em cidades e setores. Saiba mais.

O JXQ AI Forum 2026, realizado em Pequim e promovido pela Beijing Electronic Digital & Intelligence, marcou um movimento importante no debate sobre inteligência artificial aplicada ao desenvolvimento urbano e industrial na China. O encontro ocorreu em um momento em que o país inicia o período do 15º Plano Quinquenal, fase em que a estratégia nacional de IA passa a ser conectada de forma mais explícita às políticas de crescimento econômico, modernização industrial e gestão das cidades. A principal mensagem do fórum foi clara: a próxima etapa da adoção de IA depende menos de demonstrações isoladas de tecnologia e mais da construção de infraestrutura escalável, ecossistemas coordenados e modelos de aplicação capazes de funcionar em ambientes reais.

Durante o evento, foram anunciadas iniciativas que ajudam a entender a direção dessa agenda. A BEDI lançou o Spark•AI Cloud 2.0, apresentou o China Urban Artificial Intelligence Index Report, iniciou a iniciativa AI China Tour e anunciou a criação da Collaborative Industry Alliance for AI Innovation Districts. Em conjunto, essas ações desenham um esforço para integrar inovação tecnológica, planejamento urbano e desenvolvimento industrial em um mesmo marco estratégico. A lógica central é aproximar a inteligência artificial das demandas concretas de cidades, empresas e órgãos públicos, criando caminhos distintos para regiões com diferentes níveis de maturidade econômica e tecnológica.

Fórum reuniu governo, academia, indústria e convidados internacionais

O fórum teve uma programação ampla, com 14 sessões temáticas distribuídas em quatro áreas principais: infraestrutura de IA, nova economia, desenvolvimento industrial e tendências emergentes. Os debates abordaram temas como infraestrutura de computação, dados confiáveis, cidades inteligentes, aplicações industriais, ecossistemas de talentos e financiamento. Mais de 100 tópicos foram cobertos ao longo da agenda, o que reforça a intenção de tratar a IA como um conjunto integrado de capacidades e não apenas como uma ferramenta pontual de automação.

A composição dos participantes também indica a relevância institucional do encontro. Estiveram presentes representantes de governo, indústria, academia, pesquisa e setores de aplicação, incluindo acadêmicos ligados à CAE e à SAEng, além de especialistas de instituições como o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China, a Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais, a Comissão Nacional de Saúde, a Universidade Tsinghua e a Academia Chinesa de Ciências. Autoridades do governo municipal de Pequim e do distrito de Chaoyang também participaram, ao lado de representantes de várias regiões e convidados internacionais do Cazaquistão, Indonésia, Tailândia e Reino Unido.

Segundo a organização, o fórum de três dias reuniu mais de 2.200 participantes e registrou mais de 7,2 milhões de visualizações online. Esses números mostram a dimensão do interesse em torno do tema, especialmente em um cenário no qual cidades e empresas buscam entender como a IA pode ser incorporada a políticas públicas, cadeias produtivas e serviços essenciais.

Índice urbano de IA busca medir maturidade e orientar políticas

Um dos anúncios mais relevantes do evento foi a divulgação do China Urban Artificial Intelligence Index Report, desenvolvido em parceria pelo Institute for Contemporary China Studies da Universidade Tsinghua, pelo Shanghai Securities News, pelo Outlook Think Tank e pelo BEDI Research Institute, com contribuições de equipes da Universidade de Ciência e Tecnologia da China e do CICC Global Institute. O relatório propõe um sistema de avaliação urbana baseado em quatro dimensões: desenvolvimento industrial, inovação tecnológica, serviços públicos e ambiente de governança.

Na prática, esse tipo de índice funciona como uma ferramenta de diagnóstico. Em vez de tratar todas as cidades como se estivessem no mesmo estágio, o relatório reconhece que há diferenças relevantes em recursos, base industrial e capacidade de gestão. Com isso, o documento identifica uma estrutura de três níveis para o desenvolvimento de IA nas cidades chinesas: Leading Cities, Dynamic Cities e High-Potential Cities. A classificação sugere que há centros mais avançados, cidades em desenvolvimento acelerado e localidades com potencial relevante, mas ainda em consolidação.

A importância desse enquadramento está em oferecer referências mais precisas para políticas públicas e estratégias empresariais. Para governos locais, um sistema como esse pode ajudar a definir prioridades de investimento, foco regulatório e políticas de atração de empresas. Para o setor privado, a leitura da maturidade de cada cidade pode orientar decisões de expansão, implantação de soluções e identificação de mercados emergentes. O relatório também se apoia em experiências de cidades referência, com o objetivo de traduzir boas práticas em caminhos de ação mais claros para diferentes perfis urbanos.

Spark•AI Cloud 2.0 amplia a ideia de plataforma para produção de IA

Outro ponto central do fórum foi a atualização do Spark•AI Cloud para a versão 2.0. A BEDI descreve a solução como um sistema de produção de IA de nova geração, marcando a evolução de uma plataforma de computação para um ambiente integrado de produção. Essa mudança é relevante porque demonstra uma tendência crescente no mercado de IA: o foco deixa de estar apenas no poder de processamento e passa a incluir todo o ciclo de preparação de dados, desenvolvimento de modelos, orquestração de aplicações e implantação em escala.

De acordo com a descrição apresentada, o Spark•AI Cloud 2.0 é sustentado pelo Qianjin•AIOS e pelo Xintian•AgentOS. Em termos funcionais, isso significa que a solução reúne computação, modelos e capacidades de aplicação em uma arquitetura unificada. O objetivo é simplificar o caminho entre dados e produção, reduzindo etapas fragmentadas que costumam dificultar a adoção de IA em ambientes corporativos e governamentais.

A BEDI destaca três obstáculos comuns à adoção de IA que a nova plataforma pretende enfrentar: implantação complexa, custos elevados e escalabilidade limitada. Esses desafios são recorrentes em projetos de inteligência artificial porque, muitas vezes, a prova de conceito funciona em laboratório, mas encontra dificuldades para operar em larga escala, integrar-se a sistemas existentes ou manter custos compatíveis com a rotina empresarial. Ao propor uma base padronizada e voltada para cenários reais, o Spark•AI Cloud 2.0 tenta responder a esse gargalo.

Na visão apresentada no fórum, a fase de adoção em massa da IA será definida por barreiras menores de uso. O CTO da BEDI, Xie Dong, afirmou que empresas poderão implantar e aplicar IA a custos mais baixos e de formas mais simples, permitindo que dados se transformem em produtividade real de maneira contínua. A frase sintetiza um ponto importante do debate global sobre IA: o valor da tecnologia cresce quando ela deixa de ser apenas experimental e passa a ser incorporada ao fluxo operacional.

Iniciativa AI China Tour conecta conhecimento e implementação local

Para ampliar a difusão das novas abordagens, o fórum lançou a iniciativa AI China Tour, organizada em conjunto pelo Shanghai Securities News e pela BEDI. A proposta é reunir especialistas de indústria, academia e pesquisa para apoiar governos locais na formulação de planejamentos de IA adaptados às características de cada região. A lógica do programa é levar conhecimento técnico e dados de pesquisa para o nível local, ajudando cidades e províncias a estruturar suas próprias rotas de adoção.

Esse tipo de iniciativa é relevante porque a transformação digital não acontece de forma uniforme. Há regiões com forte base industrial, outras com maior vocação para serviços, e algumas com ecossistemas ainda em formação. Ao reconhecer essa diversidade, o programa busca orientar estratégias mais realistas para modernização de setores e desenvolvimento de novas aplicações. Em vez de impor um modelo único, a proposta é trabalhar com medidas direcionadas e consultorias voltadas ao contexto local.

O material divulgado também relaciona essa abordagem à ideia de “novas forças produtivas de qualidade”, expressão usada no discurso econômico chinês para designar crescimento impulsionado por tecnologia, inovação e eficiência. Nesse sentido, a IA aparece não apenas como uma ferramenta de automação, mas como um eixo de reorganização industrial e administrativa.

Distritos de inovação reforçam integração entre tecnologia e cidade

O anúncio da Collaborative Industry Alliance for AI Innovation Districts reforça outro eixo do evento: a criação de áreas urbanas especializadas em inovação de IA. Pequim anunciou os primeiros quatro distritos de inovação de IA neste ano, incluindo o Guangzhi Space, no distrito de Chaoyang. A área é apresentada como um espaço voltado à integração entre computação óptica e tecnologias inteligentes, com foco em infraestrutura de próxima geração e aplicações avançadas de IA.

O conceito de distrito de inovação é importante porque concentra recursos, talentos, infraestrutura e empresas em um mesmo território, favorecendo experimentação e escala. No caso apresentado no fórum, a intenção é construir um ecossistema de inovação capaz de integrar IA a cenários reais, promover novos modelos de negócio e acelerar a formação de cadeias produtivas associadas ao setor. A criação da aliança colaborativa também sugere uma tentativa de coordenar esse desenvolvimento entre diferentes atores institucionais e empresariais.

O distrito de Chaoyang lançou ainda um chamamento global para contribuições às diretrizes de planejamento dos AI Innovation Districts, além da solicitação de propostas para logotipo e mascote digital do distrito. Também foram anunciados três grandes projetos, entre eles a integração entre computação quântica e clássica. Embora a matéria não detalhe tecnicamente esses projetos, o anúncio sinaliza a tentativa de posicionar Pequim como polo líder em IA aplicada e infraestrutura de ponta.

Impactos para cidades, empresas e setor de tecnologia

Os movimentos apresentados no JXQ AI Forum 2026 mostram uma mudança de foco no debate sobre inteligência artificial. A conversa deixa de girar apenas em torno de avanço tecnológico abstrato e passa a considerar governança, competitividade regional, infraestrutura e capacidade de implantação. Para cidades, isso significa que a IA pode se tornar uma ferramenta de modernização administrativa, melhoria de serviços públicos e atração de investimentos. Para empresas, o cenário aponta para novas oportunidades em mercados locais que passam a ser mapeados de forma mais precisa.

Do ponto de vista do setor tecnológico, a ênfase em plataformas integradas como o Spark•AI Cloud 2.0 sugere maior demanda por soluções que combinem computação, modelos e operação contínua. Em vez de projetos isolados, ganha espaço a necessidade de ambientes capazes de levar IA do protótipo à produção. Isso tende a beneficiar fornecedores de infraestrutura, empresas de software corporativo, integradores de sistemas e organizações com capacidade de adaptar modelos de IA a cenários específicos.

O relatório urbano também pode influenciar o modo como regiões avaliam seus próprios avanços. Ao criar categorias e dimensões de análise, a publicação ajuda a transformar a discussão sobre IA em agenda mensurável. Isso pode acelerar a formulação de políticas mais alinhadas ao estágio de cada cidade e, ao mesmo tempo, facilitar a identificação de gargalos em formação de talentos, dados confiáveis, financiamento e governança.

Em síntese, o fórum reforça a ideia de que a próxima etapa da inteligência artificial depende de coordenação entre tecnologia, política pública e aplicação prática. As iniciativas anunciadas indicam uma busca por modelos de desenvolvimento urbano e industrial em que a IA opere como infraestrutura estratégica, e não apenas como inovação pontual. Ao conectar índices, plataformas, alianças e programas de implementação local, o evento projeta um caminho em que a adoção de IA será definida pela capacidade de escalar resultados em diferentes contextos econômicos e territoriais.

Referência: https://www.thehindubusinessline.com/brandhub/pr-release/jxq-ai-forum-2026-unveils-new-ai-driven-growth-paradigms-for-industry-city-integration-in-the-15th-five-year-plan-period/article70911704.ece

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