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Tags: tokenização, Nasdaq, SEC, inteligência artificial, blockchain, ativos tokenizados, infraestrutura financeira digital, mercado sempre ativo

Nasdaq vê novo ambiente da SEC impulsionar tokenização e IA

Por Helene Braun · 2026-05-06

Nasdaq vê novo ambiente da SEC impulsionar tokenização e IA

SEC mais construtiva abre espaço para tokenização e IA na Nasdaq. Veja como blockchain e infraestrutura always on podem transformar o mercado.

A mudança de postura da SEC em relação ao mercado de criptomoedas está abrindo espaço para uma nova fase de experimentação em infraestrutura financeira digital, segundo Tal Cohen, presidente da Nasdaq. Em participação no evento Consensus, em Miami, Cohen afirmou que o ambiente regulatório nos Estados Unidos deixou de ser um território cinzento que inibia iniciativas e passou a permitir que empresas do setor “construam” novamente, com mais margem para testar soluções ligadas à tokenização, blockchain e sistemas de negociação digital.

A avaliação de Cohen ocorre em um momento em que o mercado financeiro tradicional e o ecossistema de ativos digitais buscam maior aproximação. A Nasdaq, que fornece tecnologia de negociação para mais de 130 mercados ao redor do mundo, está investindo em infraestrutura “always on”, tokenização e inteligência artificial como parte dessa transição. A mensagem central do executivo é que a indústria deixou para trás um período de forte incerteza regulatória e agora enxerga mais espaço para desenvolver produtos e testar modelos sem a mesma pressão de punições ou restrições imediatas.

Regulação mais construtiva muda o ritmo do setor

Na visão de Cohen, a diferença entre o cenário atual e o de alguns anos atrás é significativa. Ele afirmou que, quatro anos antes, a “zona cinzenta” regulatória equivalia a uma espécie de “zona de não voo”, expressão usada para descrever um ambiente em que empresas evitavam avançar por receio de reação dos reguladores. Agora, segundo ele, essa mesma área passou a ser um espaço em que é possível construir, ganhar escala e experimentar com mais segurança.

Essa mudança é relevante porque o mercado de criptomoedas e a indústria de infraestrutura financeira digital dependem de previsibilidade regulatória para avançar. Quando regras não estão claras, empresas tendem a adiar investimentos, limitar testes e manter produtos em estágio experimental. Quando há sinais de maior abertura, cresce a disposição para desenvolver soluções com blockchain, ativos tokenizados e sistemas integrados entre mercados tradicionais e digitais.

Cohen destacou ainda que a SEC passou a agir de maneira “mais construtiva” e até “proativa”, nas palavras dele. Embora não tenha detalhado medidas específicas da autarquia, o comentário indica uma percepção de mercado de que o órgão regulador estaria adotando uma postura menos defensiva e mais favorável ao desenvolvimento do setor. Para empresas como a Nasdaq, isso pode significar uma janela mais ampla para inovação em produtos, infraestrutura e processos de negociação.

O que está por trás da tokenização

Um dos temas centrais da fala de Cohen foi a tokenização. Em termos simples, tokenizar um ativo significa representar esse ativo em formato digital, normalmente em uma blockchain ou em outra infraestrutura de registro distribuído. Isso vale para instrumentos financeiros, valores mobiliários, recebíveis e outros tipos de ativos que passam a existir também como registros digitais negociáveis.

Segundo Cohen, a tokenização pode tornar ativos mais fáceis de mover, financiar e negociar. A lógica é que um ativo digitalizado circula com menos atrito operacional, o que pode reduzir etapas intermediárias e ampliar a velocidade de liquidação e transferência. Ele também afirmou que esse modelo pode dar aos emissores melhor visibilidade sobre seus acionistas, o que interessa especialmente em estruturas de mercado nas quais o controle e a rastreabilidade da propriedade são relevantes.

Ao dizer que a tokenização “coloca um ativo em movimento”, Cohen resumiu o potencial da tecnologia em transformar instrumentos antes estáticos em unidades digitais mais flexíveis para transações e financiamento. Esse tipo de aplicação é frequentemente associado à modernização de mercados de capitais, à redução de fricções operacionais e à abertura de novas formas de negociação entre diferentes classes de ativos.

Convergência entre finanças tradicionais e ativos digitais

Outro ponto destacado pelo presidente da Nasdaq foi a convergência entre as trilhas financeiras tradicionais e as estruturas digitais. Na prática, isso significa aproximar os chamados rails financeiros convencionais, que são os trilhos de processamento de pagamentos, custódia, liquidação e negociação já estabelecidos, dos sistemas baseados em ativos digitais e blockchain.

Para o executivo, essa convergência é uma das tendências mais importantes do momento. Ele afirmou que o objetivo da indústria não é manter duas infraestruturas separadas, uma para os mercados tradicionais e outra para os tokenizados. O desafio, segundo ele, é reunir tudo em um sistema que permita aproveitar os benefícios dos dois lados. Isso inclui eficiência operacional, maior interoperabilidade e a possibilidade de combinar a confiança e a escala dos mercados tradicionais com a flexibilidade das tecnologias digitais.

A interoperabilidade, nesse contexto, é um dos principais obstáculos. O termo se refere à capacidade de diferentes sistemas, plataformas e redes funcionarem em conjunto, trocando dados e ativos sem perdas ou incompatibilidades. Cohen apontou que empresas não querem operar estruturas isoladas para cada tipo de ativo, o que reforça a necessidade de soluções capazes de integrar o que já existe com o que está sendo criado no universo digital.

Mercado sempre ativo e novas exigências de infraestrutura

A Nasdaq também está apostando em um conceito descrito por Cohen como “always on”, ou seja, uma infraestrutura de mercado que funcione de forma contínua ou quase contínua. Esse movimento acompanha a mudança de expectativa de investidores e operadores, que cada vez mais lidam com mercados globalizados, fluxos instantâneos de informação e maior pressão por disponibilidade fora dos horários tradicionais de pregão.

De acordo com Cohen, os mercados estão caminhando para sistemas que movimentem dinheiro, valores mobiliários e garantias de forma mais rápida do que a infraestrutura tradicional. Isso exige redes mais resilientes, software mais confiável e mecanismos capazes de suportar operações em janelas de tempo mais amplas. Em um cenário assim, a tecnologia deixa de ser apenas suporte e passa a ser um componente central da própria estrutura de mercado.

Esse tipo de transformação tem impacto direto em bolsas, corretoras, custodiante, emissores e investidores institucionais. À medida que o mercado se aproxima de um modelo mais contínuo, cresce a necessidade de integração entre sistemas legados, novas plataformas digitais e ferramentas capazes de lidar com volumes maiores de transações em menor tempo.

Inteligência artificial entra na modernização dos mercados

Além de blockchain e tokenização, a Nasdaq também está testando aplicações de inteligência artificial. Cohen explicou que a empresa avalia sistemas de IA capazes de simular atividades de negociação em uma réplica digital do seu motor de matching, o componente que cruza ordens de compra e venda em uma bolsa.

Essa abordagem permite criar cenários de estresse e observar como a infraestrutura reage diante de volumes extremos, falhas operacionais ou alterações no comportamento do mercado. Em termos práticos, a IA pode ser usada para ampliar a capacidade de teste, melhorar a confiabilidade do software e apoiar a adaptação da plataforma a jornadas de negociação mais longas.

O uso de simulações com inteligência artificial tem relevância porque mercados de capitais exigem alta disponibilidade e precisão. Pequenos erros em sistemas de execução podem gerar impacto financeiro relevante, comprometer a integridade das ordens e afetar a confiança dos participantes. Ao aplicar IA para testar o funcionamento de sua infraestrutura, a Nasdaq busca reduzir riscos e preparar seus sistemas para um ambiente mais dinâmico e permanente.

Impactos para o mercado e para as empresas do setor

A leitura mais ampla da fala de Cohen é que a regulação mais favorável pode destravar uma nova fase de inovação no setor financeiro digital. Se o ambiente regulatório oferece mais clareza e menos risco percebido, empresas de infraestrutura, exchanges, fintechs e instituições tradicionais tendem a ampliar testes com tokenização, blockchain e automação operacional.

Para o mercado, isso pode significar produtos mais eficientes, sistemas de negociação mais integrados e maior velocidade na evolução de modelos de custódia e liquidação. Para empresas, a oportunidade está em reduzir custos operacionais, melhorar rastreabilidade e encontrar novas formas de estruturar ativos e transações. Para emissores e investidores, os possíveis ganhos envolvem transparência, flexibilidade e acesso a mecanismos mais modernos de negociação.

Ao mesmo tempo, a fala da Nasdaq evidencia que a modernização não depende apenas da tecnologia em si. A adoção em escala exige integração entre ambientes antigos e novos, padrões técnicos comuns e regras que permitam inovação sem comprometer supervisão e integridade de mercado. É justamente nesse ponto que a postura da SEC ganha peso estratégico, pois a percepção de abertura regulatória pode acelerar ou frear projetos em desenvolvimento.

O cenário descrito por Cohen sugere que o debate sobre ativos digitais nos Estados Unidos está entrando em uma fase mais pragmática. Em vez de girar apenas em torno de restrições, o foco passa a incluir infraestrutura, interoperabilidade e produtividade de mercado. Para a Nasdaq, isso representa a oportunidade de combinar sua experiência em tecnologia de negociação com as novas possibilidades trazidas por blockchain, tokenização e inteligência artificial.

No conjunto, a mensagem é que o setor financeiro está diante de uma reorganização gradual de suas bases tecnológicas. A mudança regulatória, a busca por mercados mais contínuos e a integração de ferramentas digitais apontam para uma transição em curso, ainda com desafios importantes, mas já marcada por uma disposição maior para experimentar e construir. Se essa tendência se mantiver, a relação entre finanças tradicionais e ativos digitais tende a se tornar cada vez mais integrada, com impacto direto sobre a infraestrutura de mercado global.

Referência: https://www.coindesk.com/policy/2026/05/06/nasdaq-s-president-says-the-sec-s-new-crypto-stance-is-letting-markets-build-again

Sobre o autor

Helene Braun — Conteúdo revisado pela equipe editorial do GeraDocumentos, com foco em IA, produtividade e criação de documentos profissionais.