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Oracle avança com boom de nuvem de IA e analistas veem alta de até 60%

Por Tony Jackson · 2026-04-14

Oracle avança com boom de nuvem de IA e analistas veem alta de até 60%

Oracle dispara na nuvem de IA e analistas veem alta de 50% a 60%. Veja receitas, RPO de US$ 553 bi, riscos e preço-alvo.

A Oracle entra em 2026 sob forte volatilidade na Bolsa, mas com uma tese de investimento que segue atraindo a maior parte dos analistas. Após recuar até 24% no acumulado do ano desde as máximas próximas de US$ 345 registradas no fim de 2025, a ação voltou a oscilar com intensidade em meio a novos resultados financeiros e anúncios relacionados à inteligência artificial. Em meados de abril, os papéis eram negociados na faixa de US$ 162 a US$ 167, cenário que reacendeu a dúvida entre investidores: aproveitar a queda para comprar ou reduzir exposição diante dos custos elevados e dos riscos de execução?

O consenso predominante em Wall Street, porém, ainda favorece a compra. Entre cerca de 35 a 40 analistas que acompanham a companhia, a recomendação média aparece entre Moderate Buy e Strong Buy, com a maioria das casas sugerindo Buy ou Outperform. O preço-alvo médio para 12 meses gira em torno de US$ 245 a US$ 261, o que representa potencial de valorização de 50% a 60% em relação aos níveis atuais. Em um intervalo mais amplo, algumas projeções chegam a US$ 400, enquanto outras ficam na faixa de US$ 210 a US$ 240. As poucas recomendações de manutenção e a presença de apenas uma indicação de venda reforçam a leitura de que o mercado, por ora, enxerga mais oportunidades do que riscos no papel.

O principal motor dessa visão positiva é a aceleração do negócio de nuvem da Oracle, especialmente na infraestrutura voltada a cargas de trabalho de inteligência artificial. Na prática, isso significa oferecer poder computacional, armazenamento e rede para treinar e executar modelos de IA, algo que exige grande escala e investimentos pesados em data centers. O avanço desse segmento ficou evidente nos resultados do terceiro trimestre fiscal de 2026, divulgados em 10 de março. A receita total cresceu 22% em relação ao mesmo período do ano anterior, para US$ 17,2 bilhões, acima das estimativas do mercado. A receita de nuvem subiu 44%, para US$ 8,9 bilhões, enquanto a receita de infraestrutura em nuvem, ou IaaS, avançou 84% no trimestre.

Outro indicador chamou atenção dos investidores: as remaining performance obligations, ou RPOs, chegaram a US$ 553 bilhões, alta superior a 300% na comparação anual. Esse indicador mede receitas contratadas que ainda não foram reconhecidas contabilmente e costuma ser visto como um termômetro do volume de demanda futura. Em outras palavras, ele mostra que a Oracle acumulou compromissos de clientes para os próximos anos em uma escala muito acima do normal, impulsionados pela corrida por capacidade de IA. Para o mercado, esse número sugere visibilidade de receita de longo prazo, ainda que a conversão desse backlog em faturamento dependa da entrega operacional.

A empresa vem se apresentando como uma das fornecedoras relevantes no ecossistema de IA em nuvem, beneficiando-se do aumento do interesse de empresas e hyperscalers por capacidade computacional. A notícia destaca contratos importantes com companhias como Meta e NVIDIA, além de crescimento expressivo em receitas ligadas a GPUs dentro do segmento de infraestrutura em nuvem. GPU é a sigla para Graphics Processing Unit, ou unidade de processamento gráfico, um tipo de chip que se tornou central para inteligência artificial por executar cálculos paralelos em grande escala. Segundo a matéria, a receita associada a GPUs cresceu 177% no trimestre anterior, evidenciando a captura de parte do gasto explosivo com hardware especializado.

O posicionamento da Oracle na disputa pela nuvem de IA combina dois elementos que o mercado acompanha com atenção. De um lado, a companhia mantém sua base tradicional de bancos de dados, tecnologia historicamente forte e com receitas recorrentes. De outro, expande sua oferta de infraestrutura para atender uma demanda que vai muito além do software corporativo clássico. A estratégia multicloud também faz parte dessa narrativa. Ela permite que clientes utilizem bancos de dados Oracle em ambientes como AWS, Azure, Google Cloud e na própria OCI, a Oracle Cloud Infrastructure. Esse desenho reduz a dependência de um único provedor e pode ser especialmente atrativo para grandes empresas que querem flexibilidade sem abrir mão de desempenho e integração.

Esse modelo ajuda a explicar por que a empresa tem conseguido atrair interesse em meio à competição acirrada do setor. O mercado de infraestrutura em nuvem é dominado por Amazon Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud, enquanto outras companhias disputam nichos ligados a IA, conectividade e armazenamento. Nesse contexto, a Oracle tenta se diferenciar ao combinar sua base instalada de banco de dados com infraestrutura de alto desempenho desenhada para aplicações de IA. A empresa também anunciou novos produtos, incluindo aplicações de IA agentic e ferramentas mostradas em eventos com clientes, o que contribuiu para picos intradiários acima de 5% em alguns pregões após notícias positivas.

O conceito de IA agentic, embora ainda em evolução, costuma se referir a sistemas capazes de executar tarefas com maior grau de autonomia, organizando ações em sequência para atingir um objetivo. No ambiente corporativo, isso tende a ser relevante em automação, suporte a processos e integração com dados empresariais. Para a Oracle, o lançamento desse tipo de recurso reforça a tentativa de ampliar sua presença além da infraestrutura e do banco de dados, conectando plataforma, software e aplicações de inteligência artificial em um mesmo ecossistema.

Apesar do otimismo, a trajetória recente da ação também expõe riscos que preocupam parte dos investidores. A expansão de data centers exige capital intensivo, o que significa elevados desembolsos antes que a receita efetivamente amadureça. Isso tem pressionado margens no curto prazo e levantado dúvidas sobre a velocidade de retorno dos investimentos. A Oracle também emitiu dívida significativa para financiar a construção dessa capacidade, embora recentes operações de financiamento tenham reduzido parte das preocupações sobre liquidez. Ainda assim, o mercado acompanha de perto a possibilidade de que a combinação entre capex elevado e competição intensa afete o fluxo de caixa livre no curto prazo.

Esse ponto é central para o debate sobre valuation, ou avaliação da ação. A matéria informa que a Oracle negocia a um múltiplo preço/lucro futuro na faixa média dos 20, com base nas estimativas de lucro em expansão. Para os defensores da tese, esse nível parece razoável diante de uma empresa que cresce receita e lucro em ritmo superior a 20% ao ano, especialmente quando comparada a concorrentes de nuvem pura que operam com múltiplos mais altos. Para os críticos, porém, o risco está no fato de que o mercado pode estar precificando um cenário muito otimista para uma companhia que ainda precisa transformar toda essa demanda contratada em receita com margem saudável.

Os resultados do ano fiscal de 2026 já mostraram que a nuvem está assumindo o protagonismo dentro da empresa. A receita de cloud vem superando de forma consistente o negócio de software legado, que permanece estável ou levemente em queda à medida que clientes migram para modelos por assinatura. O lucro por ação ajustado também apresentou crescimento robusto de dois dígitos, com o trimestre mais recente superando as estimativas tanto na receita quanto no resultado. Depois da divulgação, várias casas elevaram os preços-alvo, citando melhora na relação entre risco e retorno após a queda acumulada no ano.

Para investidores que buscam dividendos, a Oracle mantém um elemento adicional de atratividade. O rendimento atual informado na matéria fica em torno de 1,2% a 1,3%, o que não é alto, mas mostra a disposição da empresa de devolver capital aos acionistas ao mesmo tempo em que investe agressivamente no crescimento. Esse equilíbrio costuma interessar a investidores de longo prazo que aceitam menor remuneração imediata em troca de potencial de expansão futura. No entanto, a combinação entre dividendos, dívida e capex elevado também reforça a necessidade de acompanhar o ritmo de geração de caixa nos próximos trimestres.

O que acontecerá daqui para frente dependerá de alguns gatilhos importantes. O próximo balanço, previsto para o início de junho, deve trazer novas informações sobre a evolução da nuvem, a direção dos investimentos e a disciplina de capital. Caso a empresa mostre aceleração adicional em contratos ligados à IA ou alguma melhoria nas margens, o papel pode voltar a ganhar força. Além disso, o cenário macroeconômico também terá influência, especialmente as decisões do Federal Reserve sobre juros e o humor geral do setor de tecnologia. Em períodos de juros mais altos, ações de crescimento costumam enfrentar maior pressão, sobretudo quando exigem investimentos volumosos para sustentar a expansão.

No balanço geral, a leitura dos analistas segue inclinada para o lado positivo. A Oracle está no centro de uma transformação relevante, saindo de uma gigante tradicional de software para uma plataforma de nuvem com ambição de capturar parte do investimento global em inteligência artificial. O forte crescimento de cloud, o tamanho do backlog contratado e a demanda por capacidade de IA sustentam uma tese construtiva para o papel. Ao mesmo tempo, os riscos de execução, a concorrência pesada e o custo do expansionismo em data centers impedem uma leitura simplista. Para o mercado, a questão não é apenas se a Oracle pode crescer, mas se conseguirá converter essa expansão em lucro e caixa de forma consistente. É essa resposta que deve definir se a ação continuará vista como oportunidade ou se a recente volatilidade era apenas um sinal de que a corrida pela nuvem de IA ainda está longe de terminar.

Categoria principal

Big Tech

Referência: https://www.ibtimes.com.au/oracle-stock-buy-sell-2026-analysts-see-50-60-upside-ai-cloud-boom-offsets-volatile-start-1866573

Sobre o autor

Tony Jackson — Conteúdo revisado pela equipe editorial do GeraDocumentos, com foco em IA, produtividade e criação de documentos profissionais.