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Siemens defende IA industrial como motor do Viksit Bharat

Por ET Spotlight · 2026-03-31

Siemens defende IA industrial como motor do Viksit Bharat

Siemens destaca a IA industrial como motor do Viksit Bharat. Veja como gêmeos digitais, automação e dados podem impulsionar a economia da Índia.

A Siemens Innovation Day 2026, realizado em Mumbai, colocou a inteligência artificial industrial no centro da discussão sobre o futuro da economia indiana e seu vínculo com a agenda de Viksit Bharat, a visão de longo prazo para um país mais desenvolvido até 2047. O encontro reuniu cerca de 400 executivos, especialistas e líderes do setor para discutir como tecnologias como IA, gêmeos digitais, simulação avançada, infraestrutura inteligente e plataformas seguras já deixaram de ser apenas conceitos e passaram a integrar decisões reais de negócios e políticas industriais.

O evento, chamado Transform, chegou à sua sexta edição em um contexto global de maior volatilidade econômica e geopolítica. Nesse cenário, os executivos da Siemens destacaram que a combinação entre digitalização, automação e inteligência artificial pode ajudar a Índia a sustentar crescimento, ampliar competitividade e enfrentar gargalos históricos em manufatura, energia, transporte e infraestrutura. A mensagem principal foi que a IA industrial deixou de ser uma promessa abstrata e passou a ser uma ferramenta concreta para produtividade e escala.

Industrial AI ganha centralidade na estratégia de crescimento

Durante a abertura, Indu Sharma, vice-presidente de Comunicação da Siemens Limited, definiu o encontro como uma imersão prática na aplicação da IA industrial. A ideia foi mostrar como empresas podem sair da fase de discussão conceitual e avançar para casos de uso reais, com impacto mensurável em produção, serviços e infraestrutura. O formato do evento incluiu palestras, sessões técnicas e demonstrações ao vivo, reforçando a proposta de aproximar inovação tecnológica de necessidades operacionais.

O diretor-geral e CEO da Siemens Limited, Sunil Mathur, afirmou que a discussão sobre transformação digital mudou muito desde a primeira edição do Transform. Segundo ele, há seis anos o debate girava em torno de manufatura, infraestrutura e mobilidade em um ambiente ainda inicial de volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade, conhecido pela sigla VUCA. Hoje, esse cenário se tornou mais evidente, e a inteligência artificial passou a ocupar espaço real na indústria, na infraestrutura e no cotidiano.

Mathur também apresentou a Índia como um “oásis estável” em meio à instabilidade global, destacando o crescimento do PIB em torno de 7% a 7,5% e a execução de projetos estruturantes em diferentes frentes. Entre os exemplos citados estão a eletrificação de 37 mil quilômetros da malha ferroviária nos últimos sete anos, o avanço da capacidade de energia renovável de menos de 50 GW para perto de 250 GW e o papel do país como um dos mercados mais competitivos em custo de computação.

Os pilares do Viksit Bharat e a lógica da infraestrutura digital

A discussão da Siemens conectou a IA industrial à meta de Viksit Bharat, que prevê uma economia de US$ 30 trilhões até 2047. Para isso, Mathur indicou quatro alavancas principais: mais investimento em inovação, ampliação de data centers, expansão da aviação e crescimento dos corredores industriais. A lógica apresentada é que o desenvolvimento econômico de escala exige não apenas capital, mas também sistemas digitais, conectividade, logística e capacidade energética adequadas.

Segundo os números citados no evento, o gasto com pesquisa e desenvolvimento teria subido de 0,6% para 3% do PIB, aproximando o país de padrões mais comuns em economias industriais maduras. Também foi apontado que a capacidade de data centers impulsionados por IA passou de 1,5 GW para mais de 8 GW, refletindo a demanda crescente por processamento de dados, armazenamento e aplicações baseadas em modelos inteligentes.

No setor de aviação, Mathur mencionou que 70 aeroportos foram inaugurados nos últimos 10 anos, com outros 50 planejados, o que ajudaria a acelerar a logística nacional e a conectividade regional. Já os corredores industriais teriam crescido de 4 para 11, ampliando a eficiência do transporte e favorecendo novos investimentos. Em conjunto, esses movimentos reforçam uma estratégia de industrialização mais conectada, digital e orientada a produtividade.

O papel da energia e da sustentabilidade na agenda tecnológica

Outro eixo importante do encontro foi sustentabilidade. O avanço das energias renováveis e as metas climáticas da Índia foram apresentados como componentes essenciais da modernização industrial. Mathur lembrou o compromisso assumido na COP26, em Glasgow, com a meta de 500 GW de capacidade não fóssil. Segundo ele, o país já opera entre 250 GW e 300 GW de renováveis, e a projeção é alcançar entre 500 GW e 700 GW nos próximos anos.

Esse crescimento exige, de acordo com a Siemens, expansão simultânea da geração e da transmissão de energia para garantir estabilidade da rede, especialmente diante da intermitência típica de fontes como solar e eólica. A National Electricity Plan foi citada como referência para essa necessidade de ampliar a infraestrutura elétrica nos próximos cinco a sete anos.

Também foi mencionada a National Green Hydrogen Mission de 2023, com orçamento de Rs 19.744 crore, voltada à produção anual de 5 milhões de toneladas métricas até 2030. O hidrogênio verde, produzido por eletrólise com energia renovável, é visto como caminho para descarbonizar setores intensivos em emissões, como siderurgia e fertilizantes, sem travar novos ciclos de investimento industrial.

Dados, gêmeos digitais e automação como base da IA industrial

O CTO e CSO da Siemens AG, Peter Koerte, aprofundou a discussão técnica ao destacar que a inteligência artificial depende de dados em grande escala. Ele afirmou que existem cerca de 20 bilhões de dispositivos inteligentes gerando terabytes de informação por hora, mas que hoje cerca de 80% desses dados permanecem sem uso. A mensagem foi direta: sem dados, não existe IA útil para o ambiente industrial.

Koerte descreveu o avanço de tecnologias como dispositivos conectados, inteligência na borda, gêmeos digitais e simulações em tempo real. O conceito de edge intelligence se refere ao processamento de dados próximo à fonte de geração, como máquinas, sensores e equipamentos, reduzindo latência e permitindo decisões mais rápidas. Já os gêmeos digitais são representações virtuais de ativos físicos, como fábricas, redes elétricas, edifícios ou linhas de produção, usadas para testar cenários, prever falhas e otimizar operações antes de mudanças no mundo real.

Entre os exemplos citados, Koerte mencionou a Audi, que utiliza câmeras na borda industrial para operações de soldagem por pontos com maior precisão e economia de custos. Também falou de concessionárias de água capazes de identificar vazamentos com sensores e cobrir áreas de detecção de até 100 metros de raio, reduzindo perdas significativas. Em edifícios, a chamada Comfort AI foi apontada como uma solução para otimizar eficiência energética em um setor que consome cerca de 30% da energia global.

Simulação industrial e previsibilidade operacional

Outro ponto de destaque veio com Dirk Didascalou, chefe de tecnologias fundamentais da Siemens AG, que enfatizou o valor da simulação industrial para operações mais previsíveis. A proposta é usar modelos digitais em tempo real para antecipar falhas, reduzir paradas inesperadas e melhorar o planejamento de manutenção. Em um ambiente industrial cada vez mais competitivo, evitar tempo ocioso pode representar ganhos relevantes em produtividade e custo.

A ideia de simulação se conecta ao conceito de digital twin e à visão de que sistemas industriais não devem apenas reagir a problemas, mas prever e mitigar riscos antes que eles afetem a produção. Em setores como manufatura, energia e infraestrutura, essa capacidade pode reduzir desperdícios, aumentar a disponibilidade de ativos e tornar a operação mais resiliente diante de picos de demanda ou problemas na cadeia de suprimentos.

Aplicações setoriais e segurança como requisito de escala

As apresentações também destacaram aplicações em áreas como fábricas guiadas por IA, infraestrutura inteligente, subestações digitais, redes de nova geração e edifícios autônomos. Robert H.K. Demann, da Siemens Limited, reforçou a necessidade de plataformas seguras para sustentar essa transformação. Em um cenário em que fábricas, sistemas elétricos e ativos críticos ficam cada vez mais conectados, segurança digital deixa de ser uma camada opcional e passa a ser requisito básico de operação.

O evento ainda mencionou parcerias do ecossistema, incluindo demonstrações com NVIDIA e clientes da Adani Technologies, sinalizando que o avanço da IA industrial depende de colaboração entre fabricantes de hardware, integradores, empresas de infraestrutura e usuários finais. Esse tipo de arranjo é relevante porque a adoção de IA em ambientes industriais exige compatibilidade entre sensores, software, redes, nuvem e processamento local.

Na prática, isso significa que o impacto da IA industrial vai além da automação tradicional. O foco está em gerar produtividade, melhorar a flexibilidade diante da volatilidade, sustentar padrões de qualidade, ampliar a escalabilidade e reforçar a segurança. Empresas que conseguirem integrar esses elementos tendem a responder melhor às exigências do mercado e às mudanças regulatórias, especialmente em setores intensivos em capital.

O que o encontro sinaliza para o ecossistema tecnológico indiano

A leitura mais ampla do Transform 2026 é que a Índia está tentando alinhar sua agenda de crescimento com uma infraestrutura tecnológica mais madura. A combinação de eletrificação ferroviária, expansão de renováveis, crescimento de aeroportos, data centers e corredores industriais mostra que a digitalização não ocorre isoladamente. Ela depende de base física, energia confiável, conectividade e capacidade de investimento.

O encontro também evidencia como a IA industrial está se consolidando como peça estratégica para governos e empresas. Em vez de tratar inteligência artificial apenas como software de consumo ou assistente digital, a Siemens posicionou a tecnologia como instrumento para modernizar fábricas, redes elétricas, edifícios e sistemas logísticos. Esse enquadramento é importante porque desloca o debate da experimentação para a produtividade e o impacto econômico real.

Ao final, o recado central do evento foi que a IA já faz parte da realidade empresarial e industrial, e não mais de um futuro distante. Para a Índia, segundo os executivos presentes, essa transição pode ser decisiva para sustentar crescimento, melhorar eficiência e apoiar a construção de uma economia de grande escala até 2047. Nesse contexto, o desafio deixa de ser saber se a IA terá impacto e passa a ser como integrar essa tecnologia de forma segura, eficiente e produtiva em toda a cadeia industrial.

Categoria

Inteligência Artificial

Referência: https://economictimes.indiatimes.com/news/company/corporate-trends/transform-siemens-innovation-day-2026-demystifies-industrial-ai-for-viksit-bharat/articleshow/129925450.cms

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ET Spotlight — Conteúdo revisado pela equipe editorial do GeraDocumentos, com foco em IA, produtividade e criação de documentos profissionais.