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Volatilidade inédita e IA redesenham a economia, diz Jordi Visser

Por Editorial Team · 2026-04-11

Volatilidade inédita e IA redesenham a economia, diz Jordi Visser

Jordi Visser prevê volatilidade inédita e o impacto da IA na economia, ações e empregos. Entenda riscos, inflação e geopolítica. Leia agora.

O investidor e estrategista macro Jordi Visser afirmou que o mercado está entrando em um período de volatilidade sem precedentes, enquanto a inteligência artificial começa a remodelar estruturas econômicas, mercados financeiros e até o debate político. Em sua participação no The Pomp Podcast, Visser argumentou que a combinação entre mudanças tecnológicas aceleradas, aperto monetário e fragilidade de determinados setores ajudou a dividir a economia em duas partes desde 2022.

A leitura apresentada por Visser parte de uma ideia central: a economia atual não foi desenhada para absorver o ritmo de transformação imposto pela inteligência artificial. Para ele, a estrutura de capital predominante no sistema financeiro foi construída para crescimento lento, enquanto a IA opera em uma lógica de velocidade, escala e impacto muito superiores ao que modelos tradicionais conseguem acomodar com facilidade. Esse descompasso, na visão do analista, ajuda a explicar parte da instabilidade observada em diferentes ativos e setores.

Um mercado em fase de transição

Visser sustenta que investidores devem se preparar para um ciclo de forte oscilação nos mercados, sem paralelo histórico claro. A avaliação não se limita ao comportamento diário de ações ou outros ativos, mas ao conjunto de forças que passam a influenciar preços, expectativas e decisões de alocação de capital. Em um ambiente assim, a leitura de risco ganha relevância maior, porque movimentos bruscos podem ocorrer com mais frequência e intensidade.

Esse tipo de cenário costuma pressionar a forma como empresas, fundos e investidores individuais organizam suas estratégias. Quando a volatilidade aumenta, a previsibilidade diminui, e isso afeta tanto quem busca proteger patrimônio quanto quem tenta identificar oportunidades. No caso descrito por Visser, a volatilidade não estaria ligada apenas a fatores tradicionais de mercado, como juros e inflação, mas também ao efeito estrutural da inteligência artificial sobre produtividade, emprego e expectativas de crescimento.

A combinação entre tecnologia e macroeconomia torna a leitura do momento mais complexa. Não se trata apenas de entender a direção da taxa de juros ou dos lucros corporativos, mas de analisar como uma tecnologia capaz de acelerar processos e reduzir custos pode alterar a dinâmica entre setores vencedores e setores pressionados. Em outras palavras, a IA não aparece apenas como uma tendência tecnológica, mas como variável econômica central.

A economia dividida desde 2022

Outro ponto destacado por Visser é que a economia teria se dividido em duas partes a partir de 2022, quando os juros subiram de forma significativa. Segundo ele, esse movimento coincidiu com a fraqueza do mercado imobiliário e com eventos como a crise do Silicon Valley Bank, além de dificuldades no mercado de imóveis comerciais. A leitura sugere que o ciclo de aperto monetário não afetou todos os segmentos da mesma maneira.

Essa divisão ajuda a entender por que alguns ativos e setores conseguiram se sustentar melhor do que outros. Em ambientes de juros mais altos, o custo do dinheiro aumenta, o que pressiona empresas mais endividadas e reduz o apetite por investimentos de risco. Ao mesmo tempo, companhias ligadas a narrativas de crescimento mais forte, especialmente as associadas à inteligência artificial, passaram a concentrar parte relevante do interesse do mercado.

Na prática, esse tipo de bifurcação econômica cria uma assimetria entre setores. Enquanto segmentos expostos a crédito mais caro, consumo mais fraco ou balanços pressionados enfrentam mais dificuldades, empresas ligadas à infraestrutura digital e à IA podem se beneficiar de expectativas de expansão mais robustas. O resultado é um mercado menos homogêneo, em que o desempenho médio esconde realidades muito diferentes entre áreas da economia.

IA como força no mercado acionário

Visser também defendeu que a inteligência artificial se tornou um dos principais motores da valorização recente do mercado acionário. Na visão dele, sem a IA, o nível atual das bolsas provavelmente seria menor. A afirmação reforça o peso que essa tecnologia passou a ter na formação de preços, especialmente entre companhias de tecnologia, semicondutores, software e infraestrutura de dados.

O ponto central aqui é que a IA deixou de ser apenas uma promessa de médio prazo e passou a influenciar resultados, projeções e múltiplos de mercado. Isso acontece porque investidores tendem a precificar não só a receita já existente, mas também a possibilidade de ganhos de eficiência, redução de custos e criação de novos produtos e serviços. Quando uma tecnologia passa a concentrar essa expectativa, o mercado costuma reavaliar rapidamente o valor de empresas expostas ao tema.

Ao mesmo tempo, essa concentração também pode aumentar a sensibilidade das bolsas a qualquer sinal de desaceleração no entusiasmo em torno da IA. Em ciclos assim, a correção de expectativas pode ser tão relevante quanto a melhora dos fundamentos. Por isso, a leitura de Visser sobre volatilidade ganha força: se a inteligência artificial se tornou parte do mecanismo de sustentação do mercado, qualquer mudança na percepção sobre seu ritmo de adoção pode provocar reprecificação ampla.

Emprego, empresas e efeitos colaterais

Na entrevista, Visser comentou ainda os dados recentes do mercado de trabalho. Para ele, parte do resultado negativo observado no relatório de empregos estaria ligada a fatores pontuais, como greves e condições climáticas adversas, e não apenas à atividade econômica em si. Essa distinção é importante porque evita conclusões apressadas sobre a saúde do emprego a partir de um único dado mensal.

Mesmo com essa leitura conjuntural, o analista afirmou que a inteligência artificial já está afetando empregos e pressionando empresas, com aumento de falências e, consequentemente, novas perdas de vagas. O argumento segue uma linha lógica conhecida em momentos de transformação tecnológica: quando uma inovação altera processos produtivos, algumas funções são absorvidas, outras são substituídas e diversas empresas precisam se adaptar mais rapidamente do que conseguem.

No caso da IA, esse efeito é amplificado pela velocidade da adoção. Ferramentas capazes de automatizar tarefas, analisar dados e apoiar decisões podem reduzir a necessidade de mão de obra em determinadas atividades. Ao mesmo tempo, empresas que não conseguem acompanhar essa mudança podem perder competitividade, encarecer sua operação ou se tornar financeiramente vulneráveis. O resultado, segundo a leitura apresentada, é um ambiente em que falências e demissões podem se tornar mais frequentes em setores expostos à disrupção tecnológica.

Inflação, energia e riscos de retorno a 2022

Visser também chamou atenção para o risco de uma nova pressão inflacionária associada à alta dos preços do gás. Ele afirmou que esse movimento pode empurrar novamente a inflação para níveis preocupantes, reeditando a sensação de 2022. Em termos macroeconômicos, a energia segue sendo um componente crítico da inflação porque afeta transporte, logística, produção industrial e custo de diversos bens e serviços.

Quando o preço do combustível sobe, o impacto tende a se espalhar por várias cadeias produtivas. Isso pode pressionar índices oficiais de inflação e limitar a capacidade de bancos centrais de aliviar a política monetária. Em cenários assim, o mercado volta a precificar juros mais altos por mais tempo, o que afeta títulos, ações de crescimento e setores sensíveis ao custo do crédito.

A preocupação de Visser, portanto, não é apenas com o índice inflacionário em si, mas com o efeito cascata que a energia pode gerar sobre ativos e expectativas. Se a inflação voltar a acelerar, o ambiente para investimento pode ficar mais desafiador, especialmente em um contexto já marcado por forte volatilidade e pela necessidade de adaptação às mudanças provocadas pela IA.

Recursos estratégicos e disputa geopolítica

Outro tema abordado foi a geopolítica dos recursos naturais, em especial terras raras e petróleo. Visser relacionou o controle desses ativos às estratégias de China, Irã, Rússia e outros atores globais, sugerindo que o acesso a matérias-primas críticas seguirá no centro das disputas internacionais. As terras raras são especialmente importantes por seu uso em tecnologias avançadas, eletrônicos, baterias e aplicações ligadas à transição energética e à indústria digital.

Esse ponto é relevante porque a expansão da inteligência artificial não depende apenas de software e modelos, mas também de infraestrutura física, energia e cadeias de suprimentos estáveis. Assim, a corrida por recursos estratégicos ganha nova dimensão em um mundo em que a tecnologia se torna mais intensiva em computação, data centers e equipamentos especializados. A disputa geopolítica, nesse sentido, não está desconectada da revolução tecnológica; ela faz parte do mesmo tabuleiro.

Para empresas e investidores, isso significa acompanhar não apenas avanços de produto, mas também riscos de fornecimento, sanções, dependência externa e concentração de insumos. Quanto mais a tecnologia depender de cadeias globais sensíveis, maior será a exposição a eventos políticos e conflitos comerciais. A IA, portanto, não se limita ao campo da inovação: ela também reorganiza prioridades estratégicas entre países e blocos econômicos.

IA no centro da política

Visser projetou ainda que a inteligência artificial deve se tornar um tema central no próximo ciclo presidencial. A previsão faz sentido dentro do contexto atual, porque a IA já entrou no debate público como força que afeta emprego, competitividade industrial, regulação, segurança e produtividade. À medida que a tecnologia se torna mais visível, aumenta também a pressão por posicionamentos políticos mais claros.

Esse deslocamento do debate é relevante porque tecnologia e política tendem a se aproximar quando seus efeitos atingem a vida cotidiana. Questões como automação, proteção do trabalho, soberania tecnológica, uso de dados e concentração de poder em grandes empresas passam a ocupar espaço em campanhas, discursos e propostas regulatórias. Em ciclos eleitorais, isso pode redefinir prioridades e influenciar o direcionamento de políticas públicas.

Do ponto de vista do mercado, a politização da IA também importa porque regulações, incentivos e restrições podem alterar a velocidade de adoção da tecnologia. Se o tema se tornar um eixo central da disputa eleitoral, empresas do setor poderão enfrentar novas exigências, ao mesmo tempo em que governos buscarão equilibrar inovação, segurança e impacto social.

Um novo ciclo de economia e tecnologia

A análise apresentada por Jordi Visser desenha um cenário em que a inteligência artificial não é apenas uma tendência setorial, mas um vetor de reorganização econômica mais ampla. Ao mesmo tempo em que impulsiona o mercado acionário, a tecnologia pressiona empregos, desafia empresas, altera expectativas de inflação e amplia a relevância de recursos estratégicos na geopolítica global.

O quadro descrito sugere que investidores, gestores e empresas precisarão acompanhar com mais atenção a interação entre tecnologia e macroeconomia. Em um ambiente de juros mais altos, inflação sensível à energia e mercados mais voláteis, a IA pode funcionar tanto como fonte de crescimento quanto como fator de ruptura. A capacidade de adaptação, nesse contexto, tende a se tornar tão importante quanto a capacidade de inovar.

Mais do que uma leitura de curto prazo, a entrevista reforça a ideia de que a economia entrou em uma fase de transição estrutural. Se a inteligência artificial está realmente remodelando estruturas produtivas e financeiras, as consequências não se limitarão aos mercados de tecnologia. Elas devem alcançar emprego, política, comércio internacional e a forma como governos e empresas pensam o futuro. É esse cruzamento entre disrupção tecnológica e instabilidade macroeconômica que define o momento descrito por Visser.

Referência: https://cryptobriefing.com/jordi-visser-unprecedented-market-volatility-is-here-ai-is-reshaping-economic-structures-and-the-economy-has-split-since-2022-the-pomp-podcast/

Sobre o autor

Editorial Team — Conteúdo revisado pela equipe editorial do GeraDocumentos, com foco em IA, produtividade e criação de documentos profissionais.